Prezo muito pela qualidades do que decido postar aqui nessa galeria. Desde o começo, meu principal objetivo - além de reaprender a escrever - foi criar coisas de que me orgulhasse, caso decidisse ler na semana seguinte, no mês seguinte ou no ano seguinte; nunca quis que o blog se tornasse algo datado.
Vasculho atrás das melhores palavras, gasto meu ínfimo vocabulário, sigo à risca todas as regras gramaticais; entendo minha escrita, repetidas vezes, como um mero fenômeno sintático. No entanto, não era isso que queria transmitir, não estava nos meus planos toda a minha escrita ser um amontoado de palavras difíceis de compreender, organizadas de jeitos não convencionais somente a fim de mostrar que consigo fazer terem sentido.
Minha escrita como fenômeno gramatical, encontrei-me obecada nisso, o que torna um texto um fenômeno social? Meu objetivo também é expressar sentimentos, articular ideias, argumentar e tantas outras coisas.
A forma com que decido organizar os elementos interfere na finalidade das palavras? Trocar o simples por seu equivalente rebuscado muda o caráter da minha escrita? Por que escrevo? Por que escrevo como escrevo?
Quando paro para analisar - realmente esmiuçar - não enxergo todo esse requinte, vejo palavras repetidas, rimas pobres, pouquíssima métrica e tantos "achismos". Achar é minha palavra favorita, não tenho certeza sobre nada e acho tudo.
Contanto que meus "achismos" e vícios de linguagens continuem presentes, tenho em mim que sobreviveria sem as palavras refinadas, as rimas ricas e a métrica. Todo esse primor da linguagem não define o objetivo da minha escrita, mas definitivamente direciona.
Meus pensamentos não deixam de existir apenas porque me faltam as palavras certas, as palavras certas nunca nem existirão, porém cabe a mim procurá-las. Complexificar o texto e entender as regras da linguagem ajuda a englobar melhor a magnitude do sentimento. A língua é algo em constante transição e evolução, assim como eu e tudo que sinto.
Escrevo porque mudo, e mudando é quando decido escrever.
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