Os melhores passeios são os não planejados, por isso quando meu pai decidiu que a melhor coisa a se fazer as quatro horas da tarde era subir uma duna e apreciar o pôr do sol, eu não pude fazer nada senão aceitar. A sensação de apenas aproveitar o momento é muito única; existem muitas reflexões que podem ser provocadas por um momento de silêncio, enquanto se assiste o pôr do sol e se escuta uma música bonita.
Porém, quando se está no topo não devemos apenas apreciar o horizonte, também vale a pena olhar para baixo e observar o caminho percorrido. Enquanto se olha para baixo é possível perceber coisas diferentes, e a única coisa que me incomodava profundamente em toda a paisagem era a areia, que engolia quase metade da estrada.
Ademais, vale o questionamento, será se é uma ideia tão boa assim construir uma avenida do lado de uma duna móvel? É óbvio o que vai acontecer, a areia está fadada a cobrir a estrada por completo, apenas pela possibilidade de uma linda vista, cria-se um dilema; o que faz o homem nessa situção?
De que maneira se pode resolver o problema? Como podemos adiar o inadiável? O homem irá tirar e tirar a areia da estrada, e impedirá a migração dos sedimentos até recolher o último grão, e então o que sobrará da duna? Será se é viável retirar e depositar areia apenas para manter a memória de algo que nunca foi feito para durar?
Por se colocar em uma situção que não lhe cabe, o ser humano cria um problema quase impossível de resolver sem prejudicar mais ainda a beleza daquilo que o cerca - a natureza.
No fim, quando o último grão for realocado, sobrará apenas a memória do que um dia foi uma linda vista e incrível experiência; e antes de virar uma experiência, sobrará a memória do que foi moldado pela natureza a fim de proteger e reabastecer as praias.
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