Existe algo terapêutico no balançar do carro, me sinto ninada rumo ao sono eterno, presa em um interlúdio que não provoca muita vontade de sair. A parte que mais me cativa é acompanhar a vida pela janela, me sinto uma telespectadora de um mundo o qual não me pertence.
Observar a janela do carro é a mesma forma com que me sinto em relação a muitas coisas na vida, estou presente mas existe um barreira inegável que me separa da vivência lasciva e autêntica do mundo real. Instintivamente, eu me coloco na posição de observadora, em alguns momentos não me sinto nem participante ativa da minha própria existência. Sou sempre reagente, produto do que me moldar, ai de mim o dia em que eu irei moldar algo.
"Marianne tinha a sensação de que sua vida real acontecia em outro lugar, bem distante dali, acontecia sem ela, e não sabia se um dia descobriria onde era e se seria parte dela."
Não sei se esse é o sentido da vida, buscar fazer a diferença que transcenda a decurso da sua pessoa no mundo. Não sei muitas coisas, eu queria saber mais.
É frustrante escrever quando o conhecimento falta, eu observo os outros e todos parecem saber uma verdade inerente, talvez seja essa a verdade que as crianças não sabem e os adultos esquecem; acho que não sei porque sou muito infantil de alma.
Sair do carro depois de uma longa viagem me faz sentir sensações específicas, destoa do que é o mundo do outro lado da janela - escondido pelo fumê - me sinto obrigada a viver no mundo real sem saber nem onde botar os pés, sem nem tempo para bolar um plano de fuga da realidade que não é minha.
A cada dia que passa, me sinto menos telespectadora, uma consequência do que é conhecer a autonomia da vida, parece uma transição de personalidade e de mente. Me sinto cada vez mais nova, o que será que a vida do outro lado do fumê me aguarda?
Nenhum comentário:
Postar um comentário