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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

sobre conversas e especialmente sobre ser esquisita

Me perdoe - não sei como começar textos - a única coisa que sei fazer é pensar, mas não penso tão bem quanto escrevo, por isso preciso regressar a esses métodos rudimentares: longos e intermináveis parágrafos, os quais não se sabe como começam nem quando terminam, apenas para organizar minimante linhas de raciocínio que me arrependerei logo após adormecer.

As vezes sinto que penso demais, como eu posso quantificar isso? Meus pensamentos diários me ocupam tanto, até parece que perco o espaço antes ocupado por lindas memórias pra servir de mais armazenamento inútil. Muito me assombra enquanto deito a cabeça no travesseiro (talvez minha insônia nem seja causada pelas telas, talvez eu só transborde melancolia), penso sobre escrever principalmente, mas também recordo de épocas mais simples: quem eu era antes de ser "a esquisita".

Quando você é criança tudo é mais vívido, porém a transição até a adolescência me matou - quase que no sentido literal. Eventualmente, enquanto observava meus pares se acostumarem com a nova vida e suas novas aparências, percebi que transitava rumo a uma pessoa que não reconhecia muito menos me identificava.

Me tornar em alguém obviamente diferente de todos ao meu redor me fez muito mal, sentia a necessidade obsessiva de me rotular (porque o que é a vida se não um amontoado de rótulos?), e o único palpável era esse. Eu sou a "amiga esquisita".

Não acho que minha esquisitice está enraizada em interesses "fora do comum" - sempre fui uma pessoa relativamente normal - mas meu forte não era socializar com desconhecidos, nem conhecidos na boa parte do tempo. Ainda não é meu forte fazer isso, queria ter nascido extrovertida e com o dom das palavras. Do que adianta escrever? Quem estará disposto a me ler só para ter um gosto de quem sou? 

Invejo muito todos que foram contemplados com essa característica. Tentei incansavelmente me moldar conforme esses parâmetros e de certa forma até funcionou - não sou mais tímida - mas ainda não sinto esse gosto pelas interações sociais. Não sei começar um parágrafo, quanto mais uma conversa cara a cara, onde não posso reescrever nem editar meus pensamentos.

Acho que perdi muitas oportunidades de conhecer pessoas incríveis por falta de coragem, e hoje perco as oportunidades por falta de vontade (e por medo, só não sei do que). Todo dia parece uma derrota diferente, rostos familiares que nunca descobrirei a voz, ou do que gostam de comer, ou se falam bolacha ou biscoito, quantas vitórias eu precisaria para compensar tantas derrotas? 

Me perdoe, mais uma vez, pela quantidade de perguntas, sinto que me indago demais e preciso compartilhar parte disso com alguém.

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