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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

sobre escrever, oposição e coisas do tipo

 Eu queria que o nome dessa postagem fosse "sobre não fazer nada muito bem", mas se vou relativizar minhas capacidades, por que não compará-las entre si? Sinto-me atraída por tudo que envolve palavras; penso, depois escrevo e depois falo.

 Acho satisfatório me perder em pensamentos, assim como a forma com que as palavras formam laudas, até do som da minha voz consumindo o silêncio eu gosto. As palavras provam a minha existência.

sugestão de música para escutar enquanto lê

De certa forma, me frustra como a qualidade das informações construídas decai conforme ela transita sobre os meios. Demasiada é a abstração das palavras pensadas - somem na mesma velocidade que surgem - sólidas e solitárias são as palavras que saem da minha boca.

Entrei em uma tangente, peço perdão. Preciso comparar a escrita e a falação; gosto mais da escrita obviamente, sou muito melhor escrevendo.

Existe algo que me impede de conectar-me com o discurso, a fala é ritmada, automática, densa, ruidosa ou muito silenciosa.

Na escrita, não preciso me preocupar com gestos, sorrisos, olhares; a falação é muito pouco sobre as palavras, é totalmente sobre silêncios e entonação. Falta-me o carisma para sustentar as palavras faladas. Na escrita eu exprimo e exclamo! Até posso me questionar e interrogar, não posso? Meu eu-lírico faz tanto e transmite tanto, mas o eu-lírico não é eu mesma.

Você não sabe se escrevo sorrindo ou chorando, se componho rapidamente ou lentamente, você não sabe onde enfatizo ou onde me perco; você não sabe as circunstâncias que as palavras nascem, só sabe se eu decidir contar.

A escrita não é sobre o leitor, tampouco sobre o autor, é uma terceira coisa misteriosa, é um código! Omite a parte que a fala distorce, esclarece a parte que o pensamento suspende. Benditas sejam as palavras.

Não lhe conheço, e você talvez também nem me conheça direito, mas estamos unidos por algo que transcende eu e você. Esquisito né?

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