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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

sobre eternidade, cultura e choros

A capacidade humana de significar objetos ou momentos me emociona; muitas coisas enchem meus olhos de água. 

Convivo com as mesmas pessoas, encaro os mesmos rostos e não me canso - pelo contrário - anseio por mais. Conversamos todos os dias e não sei o que move seu coração, o peso do seu luto, o que você sente quando olha para mim, simplesmente não sei. Queria muito saber.

sugestão de música para escutar enquanto lê

Avidamente, desejo que diversos momentos sejam eternos. Eternos sejam os espaços que tenho para discorrer sobre o que amo, eternos sejam as situações que permitem a vulnerabilidade de um coração aberto, eternos sejam os momentos.

Sinto-me infinita ao chorar, me compadeço com sua dor, sua felicidade, sua vida. Amo-te e adoro-te, infinito seja você que sente tão intensamente.

Quando comecei a ter aulas de sociologia, não acreditava que me indagaria tanto sobre o que é cultura ou como ela age. Apenas depois de realmente procurar por ela que a encontrei. Encontrei cultura nas decisões sobre o que apresentar e na forma com que falei; não sei como não a havia percebido antes.

Reflito sobre as Bárbaras que perdi para a cultura da transformação, quantas possibilidades de pessoa eu poderia ter sido, poderia ter conhecido. O futuro do pretérito é tão diverso, tão condicional, tão aculturado.

Chorei pensando nas dores dos outros e no que significa carregar alguém que já partiu consigo. Chorei porque pensei que um dia irei precisar carregar pessoas comigo, que já partiram da vida ou só da minha vida. Chorei porque pensei que existe uma linha do tempo onde eu não tenho conhecimento sobre a dor do outro, e ele segue vivendo ao meu lado independentemente. Chorei porque sei que acaba e chorei porque também sei que continua.

Sentirei saudades dessa aula e do som desse choro, e quando esse momento se tornar apenas uma memória, sentirei a falta do que não reconheço mais pela forma, apenas pelo rombo deixado. No fim, carregarei a cultura comigo, e compartilharei ela todos que puder.



Um comentário:

  1. a cultura é o que faz o ser humano ser, reconhecer que cada um é um indivíduo na terra, com sua própria cultura e seu próprio peso é algo tão sensível e sobrenatural. várias vidas coexistindo e vários universos se chocando um com o outro, sem obrigar nenhum deles e conhecer o desconhecido de cada um.
    essa aula se tornou nossa cultura, e eu to gag com o quão o jp é certeiro

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